Todos já sabem que o estresse é um importante fator de risco à saúde física e emocional e também ao funcionamento das organizações, pois pode influenciar à produtividade, à rotatividade, o absenteísmo, o presenteísmo e etc... O Prof. Armando Ribeiro coordenou a implantação de um Programa de Redução do Estresse em um setor de tecnologia de uma organização de grande porte nacional, reduzindo em 45,7% à presença de estresse ocupacional neste setor, em um curto programa de cinco encontros, com um total de 10 horas de duração. Reduzir o estresse é possível e técnicas psicológicas modernas, cientificamente embasadas, devem ser utilizadas pelas organizações que priorizam os seus colaboradores e desejam se tornar mais competitivas no mercado atual.
Estudo científico realizado pelo psicólogo Prof. Armando Ribeiro (aprovado pelo Comitê de Ética da UNIFESP, no.0622/09), sobre estresse ocupacional e qualidade do sono em uma amostra de 52 acadêmicos de um curso de MBA noturno e que possuiam cargos executivos e de RH em empresas de grande porte, concluiu que: 65,4% estão vulneráveis ao estresse ocupacional (níveis moderado e severo), sendo o fator de maior impacto o “clima e funcionamento organizacional”, ou seja, “chefes estressados” contribuem para uma importante fonte de estresse crônico no ambiente de trabalho, o que pode acarretar danos à saúde física e psicossocial, além de prejuízos na atividade profissional (ex. diminuição da produtividade, diminuição dos lucros, aumento da rotatividade, do absenteísmo, do presenteísmo, dos acidentes de trabalho e etc). As demais fontes de estresse que se destacaram pela autoavaliação dos participantes da pesquisa, foram: sobrecarga de trabalho (63,46%); falta de feedback (57,69%) e estresse interpessoal (57,69%), ou seja, além do acúmulo de atividades no trabalho e os estudos de pós-graduação, a comunicação interpessoal e a falta de feedback contribuiram significativamente para a potencialização do estresse nas organizações.
Homens e mulheres podem perceber e/ou reagir diferentemente aos estressores?
Houve uma importante diferença entre os fatores apontados pelos homens e mulheres do estudo, destacando-se que para os homens "estresse interpessoal" (1o. lugar no ranking) e "lidar com problemas emocionais" no ambiente de trabalho (3o. lugar no ranking) foram percebidos como mais estressantes do que para as mulheres do estudo, que apontaram para a "sobrecarga de trabalho" (1o. lugar do ranking) como a principal fonte de estresse percebido, talvez o acúmulo de papéis e tarefas da mulher (ex. mãe, esposa...) possam ajudar a explicar essa discrepância.
Estresse ocupacional e baixa qualidade do sono
Outro dado importante no estudo, foi em relação à presença de qualidade ruim do sono ou queixa subjetiva do sono em 65,31% dos participantes, sendo que em 6,12%o apresentavam um provável distúrbio do sono. Os resultados deste estudo sugerem uma associação entre estresse ocupacional e uma baixa qualidade do sono, É importante salientar os riscos do estresse somados à baixa qualidade do sono, que podem ser danosos à saúde, propiciando o parecimento e/ou exacerbação: envelhecimento precoce, prejuízos cognitivos (ex. déficits de memória e atenção) e etc. Houve também uma baixa auto-avaliação da prática de atividade física, o que certamente contribui para a vulnerabilidade ao estresse ocupacional.
Pesquisa sobre percepção do estresse e coerência cardíaca
Estudo realizado pelo Prof. Armando Ribeiro, com uma amostra de 36 voluntários, detectou a prevalência de percepção do estresse em 94,45% dos sujeitos, sendo que houve uma forte associação entre presença do estresse e baixa coerência cardíaca (variabilidade do ritmo cardíaco). É fundamental destacar que houve associação entre a percepção da ausência de estresse e ótima coerência cardíaca.
O Prof. Armando Ribeiro coordenou a implantação do Programa Anti-Estresse no Setor de Help Desk do INSPER (ex-IBMEC São Paulo), utilizando recursos terapêuticos variados, incluindo treino de respiração e biofeedback.
O Prof. Armando Ribeiro participou do Projeto Zen promovido pelo Centro de Reabilitação e Hospital Dia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, mensurando o estresse através da utilização de equipamentos de biofeedback. O projeto consiste na aplicação de diferentes terapias milenares de origem oriental e outras desenvolvidas a partir do século passado, que atuam no equilíbrio entre o corpo e mente.
Palestra sobre Redução do Estresse no ambiente de trabalho proferida pelo Prof. Armando Ribeiro para a Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (SIPAT) da Companhia Energética de São Paulo (CESP) e Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE).
Não permita que pequenas chatices do dia a dia causem estresse e um grande estrago em sua saúde. Saiba combatê-las antes que você acabe de arrancar seus cabelos.
Por Mike Zimmerman e Sofia Solves (Revista Men´s Health, pp. 48-50, outubro de 2009)
Você dá murros na almofada do sofá quando seu time perde um jogo. Ou começa a ter tique nervoso quando olha no espelho e percebe que está ficando careca. Atenção: não são apenas reações de irritações passageiras, mas sim de estresse de verdade. O pior é que essas pequenas chatices podem ser mais perversas do que as grandes tragédias, porque nos vencem pela invisibilidade ou pelo cansaço. “Não as evitamos porque não as vemos como problema. Até o dia em que você explode”, diz o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, supervisor clínico de terapia cognitivo-comportamental na Universidade de São Paulo (USP).
Esses causadores de tensão podem ser crônicos e perigosos e, conforme crescem, comprometem a saúde: estressados têm 54% mais chances de sofrer ataque cardíaco, segundo estudo britânico de 2008 publicado no periódico European Heart Journal. E um trabalho sueco sugere que o estresse pode dobrar as chances de um homem desenvolver diabetes, 596 homens responderam a uma pesquisa no site da MH, para apontar os pequenos fatores de estresse que atravancam seu cotidiano. Aprenda a lidar com essas questões menores e foque no que realmente interessa: todo o resto da sua vida.
Fator de estresse: INSEGURANÇA
Não é de surpreender que o pagamento das contas, dos cartões de crédito e a preocupação com o orçamento doméstico estejam entre as maiores causas de estresse em nossa pequisa – 61% dos entrevistados sentem tensão de moderada a alta nessas situações. “Muito do estresse sobre as finanças tem a ver com incerteza – sobre sua situação financeira, claro mas muito mais sobre sua estabilidade no emprego. Não ter controle sobre isso acaba por consumir a pessoa”, diz Thomas Miller, psicólogo da Universidade de Kentuchy, nos EUA, e autor do livro Handbook of Stressful Transitions across the Lifespan (Guia das Transições Estressantes ao Longo da Vida).
Desarme a bomba: reflita sobre o que realmente deixa você de cabeça quente.São as contas mesmo ou sua situação profissional? Faça um exercício de autoconhecimento: porque isso é tão ruim? Mexe com sua autoestima, com os valores que você aprendeu com a sua família? Parta para uma caça aos fatos e consiga respostas para as questões mais espinhosas. Mas seja flexível. “Não conseguir pagar uma conta, em um mês, não significa que você seja um desastrado, um atrapalhado, que não tem valor ou que não vai ser valorizado como gerente, pai ou filho”, diz Armando Ribeiro. No campo profissional, se tiver uma relação de confiança com o seu chefe, comente sobre o clima de instabilidade. E dê um jeito de saber se você se encaixa nos planos da empresa e o que pode fazer para se tornar mais valioso. “Quanto mais respostas você conseguir, mais clareza terá sobre os fatos e sobre sua situação. E isso proporciona maior controle”, diz Miller.
Fator de estresse: A ATUAÇÃO DO SEU TIMEU
Um em cada quatro homens em nossa pesquisa classificou como nível alto de estresse ver o time perder. Pesquisadores mostraram que quanto mais profunda a paixão por um time ou jogador, maior a probabilidade de transformar as reações emocionais em hostilidade. Você chuta o cachorro, seus dias ficam azedos e você se distancia dos amigos e familiares.
Desarme a bomba: encontre um fórum online que discuta sobre seu time e vomite sua frustração lá. Um estudo da Universidade de Mississippi, nos EUA, descobriu que os comentários de fãs que postavam mensagens depois que seus times haviam perdido um jogo do campeonato eram agressivos. Mas os pesquisadores argumentam que esse descarrego virtual pode ser uma boa coisa. “Blogs e fóruns oferecem espaço para a exposição de agressividade socialmente aceita”, diz Brad Schultz, um dos autores do estudo. A linguagem pode ser desagradável, assim como a atitude, mas os perdedores podem se amargurar e ninguém sai machucado fisicamente. Acima de tudo, propricia aos fãs um espaço para compartilhar as experiências e procurar ser compreendido por pessoas com opiniões semelhantes.
Fator de estresse: DIVIDIR AS CONTAS
Estresse financeiro pode ser muito pior para um homem quando ele está em um relacionamento, porque o ponto de vista masculino sobre a situação é diferente do da mulher. “Muitas vezes os interesses são diametralmente opostos”, diz Zay Zagorsky, economista da Universidade Estadual de Ohio, nos EUA. Em sua pesquisa, publicada no periódico Journal of Socio-Economics, ele descobriu que os homens tendem a dar muito mais valor à aquisição de bens como carros e casa, enquanto as mulheres preferem consumir mais no dia a dia. As estimativas de receita e renda líquida variavam também. Isso mostra que os casais frequentemente não sabem quanto dinheiro têm ou não querem conversar sobre dinheiro honestamente, diz Glenn Good, psicólogo da Universidade do Missouri, nos EUA. “Eles se recusam a discutir, porque é desconfortável ou embaraçoso ou há tantas questões acumuladas que eles simplesmente não querem trazer o assunto à tona”, diz Zargosky. O que acontece é que o estresse cresce até que vocês entram em confronto sobre algo como os hábitos de consumo ou os gastos mais expressivos do outro. Então explodem.
Desarme a bomba: reserve 15 minutos do café da manhã no fim de semana para colocar na ponta do lápis dívidas e rendimentos, sugere Good. Façam isso separadamente e comparem seus inúmeros com os extratos bancários e holerites. Se compartilham objetivos financeiros de longo prazo e entendem que também dividem as responsabilidades financeiras do dia a dia, então a diferença normal entre os gastos – você gasta R$ 100 em cafés por mês a mais do que ela, por exemplo – fica mais fácil de entender. O clima de mútua compreensão permite que o nível de estresse despenque.
Fator de estresse: PERDA DE CABELO
Mais da metade dos leitores que responderam à nossa pesquisa sente preocupação com a imagem, e 34% apontam a queda de cabelo como um fator de estresse considerável. Eles não estão sozinhos: um artigo da Mayo Clinic Proceedings, de 2005, cita diversos trabalhos que demonstram como a calvíce afeta negativamente a autoestima masculina. “Incomoda o homem a ponto de levá-lo à insegurança pessoal e profissional. Com isso, ele acaba evitando diversas situações no dia a dia, como ir à academia ou paquerar uma garota”, diz o tricologista Luciano Barsanti, diretor médico do Instituto do Cabelo, em São Paulo, e presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia. Pesquisa realizada por Barsanti mostra que os calvos têm também maior dificuldade de recolocação e empregabilidade. “Esse quadro aumenta o estresse”.
Desarme a bomba: considere o problema uma questão clínica. Alopecia é o nome que se dá à queda de cabelos que ocorre mais frequentemente. “Acontece quando a testoterona é convertida em outro hormônio, a dihidrotestoterona (DHT), que é um veneno para o cabelo, porque, além de fazer o fio cair, atrofia a raiz e provoca a minituarização”, explica Barsanti. O tratamento para barrar a alopecia não é barato e exige dedicação, porque associa terapias, tratamentos tópicos, medicamentos orais e recursos tecnológicos como lasers. Dura em média seis meses, só que os primeiros resultados aparecem em quatro meses. Decida se o esforço vale a pena. Caso considere válido, encare sua escolha de frente. Se conseguir enfrentar esse problema como uma questão médica, você terá mais chances de evitar esse gerador de estresse. É bom que você saiba: já que o DHT vem da testosterona e quando você está estressado seu corpo produz mais desse hormônio, tente relaxar para não piorar o processo.
Fator de estresse: OS IDIOTAS QUE CRUZAM SEU CAMINHO
Viver a vida significa ter que lidar com gente sem consideração, aguentar péssimos serviços e todas as burocracias que entopem as artérias da sociedade. Mas 72% dos leitores que responderam à nossa pesquisa no site não consegue evitar o alto estresse que esse tipo de sujeito provoca. Esfrie a cabeça, meu caro: você não tem como influenciá-los. Você vê que eles não estão tomando as melhores decisões e pensa que pode fazer melhor. O resultado é que você se sente com menos controle, e esse é um fator de estresse muito sério.
Desarme a bomba: não se deixe perturbar por esse tipo de gente. “Começamos a encarar bem essas situações quando saímos do automático”, acredita o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, da USP. “Normalmente, esperamos que as coisas aconteçam na velocidade do pensamento – e isso é impossível. Não é uma questão de negligenciar que exista burocracia e que as pessoas vivam fazendo bobagens a nosso redor, mas de enxergar que tudo precisa de tempo para acontecer. Aí você começa a ter mais flexibilidade.” Se você tenta mudar os sem noção, dá a eles o controle sobre você. É mais divertido tentar apenas se entreter com eles. E quem garante que você também não age às vezes como um idiota?
Fator de estresse: HORÁRIOS DA MALHAÇÃO
Que tal está ironia: exercícios físicos são ótimos no combate ao estresse, no entanto, quase metade daqueles que responderam à nossa pesquisa classificou o compromisso com uma rotina de malhação como um fator de estresse alto. Primeiro, porque você se preocupa se perde uma aula ou se falta a todos os exercícios programados para o dia. Segundo, quando você tenta garimpar algumas horas para se exercitar na sua agenda, seu estresse bate recorde, porque se lembra de todos os outros compromissos que deve cumprir no dia. “Quem encara os fato dessa forma acaba abandonando o esporte”, alerta a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association no Brasil (Isma-BR) e representante brasileira na Divisão de Saúde Ocupacional da Associação Mundial de Psiquiatria. O esforço pode inclusive afetar como e o que você está comendo. Então, o ato de se alimentar também se torna fator de estresse, o que complica ainda mais sua vida.
Desarme a bomba: divida seu programa de exercícios cardiovasculares mais curta; intercale tiros com atividades dentro de seu ritmo normal (você também vai melhorar a queima de gordura dessa forma). Se estiver pegando peso, corte pela metade o intervalo de descanso de um minuto para 30 segundos entre cada série de 12 repetições e vai economizar seis minutos. Outra dica é levar um pouco da academia até você: troque o elevador pela escada, dê uma caminhada. As pessoas ficam muito bitoladas achando que só existe atividade física dentro de uma academia, mas há várias oportunidades de colocar o corpo para funcionar melhor. Por fim, procure maneiras de condensar outras atividades: banho, cozinhar, navegar na internet. Você tem tempo, só precisa aprender a mandar nele.
Afinal, para que tanta pressa? Por Francine Moreno (Diário da Região, São José do Rio Preto/SP, setembro de 2009)
00:40 - Você acorda cedo, toma café correndo, um banho apressado e percebe que mesmo assim está atrasado? Na sua empresa, muita pressão para entregar um relatório que era para estar pronto há algum tempo? Na hora do almoço, mal dá tempo de sentar e comer? Isso sem falar no resto do dia. Cuidado. Você pode estar sofrendo da doença da pressa. Termo usado pelos médicos para definir essa sensação intensa de que se está correndo contra o tempo, de que o dia com 24 horas não é suficiente, de que a vida está passando rápido demais. Costuma vir acompanhada de atrasos nos compromissos sociais, escolares, déficits de atenção e memória e desorganização. A falta de tempo, corre-corre diário e a necessidade de produzir mais em menos tempo adquiriram números tão altos que ganharam embasamento médico. Um estudo feito pela International Stress Management Association (Isma), entidade internacional que estuda o estresse, com mil brasileiros economicamente ativos, revelou que 30% deles sofriam da “doença da pressa”, apresentando sintomas físicos (hipertensão e problemas cardiovasculares); emocionais (angústia) e comportamentais (abuso do álcool).
“A síndrome acontece quando somos estimulados por circunstâncias da vida a alterar esses ritmos e está normalmente associada ao estresse e à ansiedade”, afirma o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, professor e supervisor clínico da USP. Para o psicólogo gestalt-terapeuta Hugo Ramón Barbosa Oddone, os sintomas mais comuns são as chamadas somatizações como pressão arterial muito alta, falta de ar, dores do tipo angina, enxaquecas, cefaléias, musculares e febres, e os sintomas psicológicos típicos como as diversas fobias, que, quando se tornam mais repetitivos e complexos, podem levar à síndrome de pânico e outras síndromes graves. “Algumas pessoas são alvos prediletos. São aquelas que trabalham em funções altamente competitivas por muito tempo, sem terem o tempo necessário para recuperar-se do estresse diário.”
É curioso notar que o sintoma mais comum, atualmente, nas crianças, é o fenômeno da hiperatividade. Segundo o psicólogo André Apolinario Silva Marinho, a hiperatividade reflete o jeito de ser de uma época, em que tudo tem de ser hiper. O diagnóstico é o excesso de estímulo e de movimento. “Não são algumas pessoas que sofrem da doença da pressa, é toda uma época, um momento histórico, a sociedade. Pensando desse ponto de vista, a loucura é estar na contramão disso tudo. As pessoas, quando param, sentem um vazio tão grande que imediatamente buscam algo para fazer. Isto ocorre porque estamos tão identificados com aquilo que fazemos que nos tornamos aquilo que fazemos.” Para combater a mania moderna de velocidade, o especialista Armando Ribeiro das Neves Neto afirma que desacelerar deve passar a ser a palavra de ordem. Em casa, no trabalho, nas relações e no ritmo interior, levar a vida com mais calma deve se transformar numa tendência comportamental diária.
“Identificar e modificar os pensamentos catastróficos é parte do tratamento. De forma mais simples, bons pensamentos atraem bons sentimentos e mesmo com um trabalho estressante você fica protegido dos efeitos negativos do estresse; já pensamentos distorcidos acentuam as reações do organismo, levando ao adoecimento físico e emocional.” Oddone sugere seguir o que Napoleão Bonaparte dizia ao valete que o ajudava a vestir-se: devagar que estou com pressa. “Influenciados pelo espírito francês, quanto mais pressa temos, mais impecáveis nos tornamos, ou seja, mais cuidadosos, mais lentos, vagarosos e sem perder a pró-atividade e a assertividade. Façamos as coisas bem acabadas para consiguir curtir o produto do nosso esforço”, afirma.
Gerencie agora seu estresse
No culto à vagareza, o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, professor e supervisor clínico da USP, defende desde uma alimentação sem pressa até andar de bicicleta. “Precisamos descondicionar a pressa. Aprenda a curtir um banho caprichado no final do dia, uma refeição saudável, a companhia de pessoas alegres e positivas. Procure novas experiências sensoriais, como novos restaurantes, refeições e viagens. Faça um diário para descrever e refletir sobre as experiência do dia. Faça atividade física regular, aproveite para passear com o cachorro, ou mesmo voltar a andar de bicicleta.” Para seguir um caminho num ritmo ainda mais tranquilo, é preciso aprender a respiração diafragmática. É uma estratégia fundamental para controlar o estresse físico e emocional, pensar com mais clareza e resolver os problemas reais da vida. “Quando já adoecemos por causa do estresse ou ansiedade é fundamental procurarmos ajuda especializada.
Os tratamentos, em geral, consistem em programas científicos baseados nas pesquisas médicas e psicológicas atuais sobre a avaliação e o tratamento dos sinais e sintomas do estresse, bem como na criação de projetos para a identificação e redução do estresse nas empresas, escolas e individualmente.” Para Neto, a prevenção da doença baseia-se nos programas de gerenciamento de estresse, que normalmente incluem: avaliação do nível e fase de estresse, informação científica sobre o estresse e os seus efeitos em nossa vida, técnicas de respiração e de relaxamento, autorregulação psicofisiológica por meio de modernos equipamentos de biofeedback, técnicas de meditação e/ou práticas corporais (ex. ioga, tai chi), atividade física regular, alimentação equilibrada e acupuntura energética.
SAIBA MAIS:
:: Além do cotidiano atribulado e sobrecarregado, também é preciso reconhecer que o equipamento estrutural da pessoa pode facilitar ou dificultar render-se à doença da pressa. Há pessoas com maior resistência, mais estruturadas para enfrentar longos embates com as exigências do mundo, e outras não
:: O deus mitológico representante do tempo é Cronos, e na sua história, ele é um pai que devora e mata seus próprios filhos. A pressa dos tempos atuais é um exemplo de como os paradigmas socioculturais orientam o nosso modo de ser, pensar e agir. Vivemos em um momento histórico no qual tudo deve ser feito com muita rapidez e eficiência
:: A doença da pressa normalmente é imperceptível ou invísivel para a maioria das pessoas, pois o ambiente de trabalho, escolar ou familiar acaba mascarando os sintomas do estresse e a sua prevenção. No trabalho pode ser responsável por baixa produtividade, faltas recorrentes; na escola pode representar baixo rendimento escolar, indisciplina, faltas e no ambiente familiar pode representar problemas conjugais, íntimos, entre pais e filhos etc.
:: Mãos e pés frios, boca seca, dor no estômago, aumento de suor, tensão e dor muscular são estados de alerta
Estresse, o assassino silencioso. O estresse pode estar ligado a sete das dez doenças que mais matam no mundo. Por Renata Sodré (Jornal Barra Notícias, RJ, setembro de 2008)
Quem nunca disse ao menos uma vez na vida a frase “Estou estressado”? A palavra que se tornou trivial no vocabulário e na vida das pessoas, é chamada de doença do século por alguns especialistas. O estresse, apesar de ter se tornado comum em nosso dia-a-dia, tem chamado a atenção de diversos médicos que alertam para as conseqüências danosas à saúde.
Segundo o Professor Armando Ribeiro Neto, psicólogo especializado em gerenciamento do estresse, o maior perigo é que normalmente ele é imperceptível para a maioria das pessoas. “O ambiente de trabalho, escolar ou familiar acaba mascarando os sintomas. No trabalho pode ser responsável por baixa produtividade e faltas recorrentes, na escola pode representar baixo rendimento e no ambiente familiar, pode estar associado a problemas conjugais”, revela o professor.
O psicólogo ainda ressalta a importância de conhecer os sinais do estresse. “É o primeiro passo para o auto-cuidado e para buscar ajuda. Qualquer pessoa que apresente persistência de cansaço, diminuição da produtividade, insônia, aumento de sudoreses e até diminuição no desejo sexual, deve procurar um profissional especializado”, diz.
O estresse nada mais é do que uma resposta do organismo quando se está diante do perigo, ele prepara o corpo para fugir ou lutar. E é por essa definição que muitos especialistas enxergam o estresse como algo bom. Mas é preciso saber lidar com o problema, pois o estresse mata. “De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o estresse pode estar associado a sete das dez doenças que mais matam no mundo, como doenças cardiovasculares e câncer”, enfatiza o professor.
Não existe fórmula mágica para se evitar o estresse. A agitação da vida moderna, o trânsito e a violência são alguns dos fatores que nos trazem doses diárias desse mal. O que podemos fazer então para que o estresse não aja de maneira perigosa no nosso corpo e mente? A resposta é mais simples do que se pensa. Fazer algumas pequenas mudanças para incluir no cotidiano alguma atividade que nos dê prazer e mudar os hábitos alimentares, podem ajudar, e muito, contra os males do estresse.
No entanto, para quem não consegue lidar com o problema sozinho, o gerenciamento de estresse é uma boa opção. “Os programas de gerenciamento de estresse incluem: avaliação do nível e fase de estresse, técnicas de respiração e de relaxamento, auto-regulação psicofisiológica por meio de equipamentos de biofeedback, técnicas de meditação como a yoga, atividade física regular, alimentação anti-estresse e acupuntura energética, dentre outros”, conclui o professor e psicólogo Armando Ribeiro.
Alta-tensão. Especialistas falam da banalização em torno do estresse, que pode causar doenças físicas e emocionais sérias. Saiba como prevenir e identificar uma situação de risco a tempo. Por Adriana Martins (Jornal A Tribuna / AT Revista, Santos/SP, janeiro de 2008)
Você sabe o que é o estresse? A pergunta pode parecer absurda em plenos anos 2000, já que se trata de um velho conhecido. Mas, especialistas afirmam que é justamente por parecer algo tão íntimo que houve a banalização do termo.
Quem não disse estou estressado pelo menos uma vez nesta semana que atire a primeira pedra. "O estresse está vulgarizado. As pessoas frequentemente o confundem com emoções, como frustração e revolta, mas é a adaptação inconsciente a várias situações do dia-a-dia, sejam elas positivas ou negativas", diz Ana Maria Rossi, presidente da International Stress Management Association (ISMA-BR), entidade voltada à pesquisa e desenvolvimento da prevenção e tratamento do estresse no mundo.
O site de relacionamentos Orkut traz uma mostra dessa vulgarização. Entre as comunidades, a Eu Tenho Stress Interno (!) reúne inacreditáveis 14 mil membros em torno de uma definição, digamos, imprecisa: “...um sentimento ruim, estranho... sei lá...”. O Estresse me Estressa, com mais de dois mil participantes, é outro exemplo da banalização.
Embora não seja uma doença, é um fator de risco importante, relacionado a sete das 10 patologias que mais matam do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). E a desinformação só faz com que o problema se agrave.
Em suma, o estresse é uma resposta do organismo a muitas situações da vida, que varia de acordo com a percepção de mundo de cada um. “Numa batida de carro, por exemplo. Enquanto uma pessoa pode dar graças a Deus por não ter acontecido nada com ela, para outra o acidente pode representar uma grande perda, ela pode achar que sua vida acabou ali”, destaca Ana Maria.
Essa adaptação, inclusive, é fundamental para a sobrevivência, alerta o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto, supervisor clínico de terapia cognitiva das universidades de São Paulo (USP) e Federal de São Paulo (UNIFESP). “É o estresse que faz com que tomemos alguma decisão, que lutemos. Ele é um gatilho importante de percepção de ameaça”.
O especialista, que mantém uma comunidade séria sobre o assunto no Orkut, Gerenciamento do Estresse, diz, porém, que a exposição excessiva é altamente prejudicial, com reflexos no corpo e na mente. Tanto que, de acordo com a intensidade dos sintomas, é dividido em três fases:
Fase de alerta: mãos e pés frios, boca seca, dor no estômago, aumento de sudorese, tensão e dor muscular (na região dos ombros, sobretudo), aperto na mandíbula, ranger os dentes ou roer unhas ou a ponta da caneta, diarréia passageira, insônia, taquicardia, respiração ofegante, hipertensão súbita e passageira, mudança de apetite e entusiamos súbito.
Fase de resistência: problemas com a memória, mal-estar generalizado, formigamento das extremidades, sensação de desgaste físico constante, mudança de apetite, aparecimento de problemas dermatológicos, hipertensão arterial, cansaço constante, gastrite prolongada, tontura, sensibilidade emotiva excessiva, obsessão com o agente estressor, irritabilidade excessiva e desejo sexual diminuído.
Fase de exaustão: diarréias frequentes, dificuldades sexuais, formigamentos nas extremidades, insônia, tiques nervosos, hipertensão arterial confirmada, problemas dermatológicos prolongados, mudança extrema de apetite, taquicardia, tontura frequente, úlcera, impossibilidade de trabalhar, pesadelos, apatia, cansaço excessivo, irritabilidade, angústia, hipersensibilidade emotiva e perda do senso de humor.
De acordo com o psicólogo, na etapa de exaustão corpo e mente adoecem. “Ninguém fica doente na fase aguda do estresse, mas sim quando ele se cronifica. E é claro que pessoas submetidas a uma mesma carga de estresse vão adoecer de formas diferentes, por conta de sua história de vida”.
A questão é que o estresse mexe demais com a parte hormonal, principalmente com a adrenalina e o cortisol – conhecido aliás, como o hormônio do estresse. “Quando fica circulante por muito tempo, ele é responsável por danos como envelhecimento precoce, queda da imunidade e aumento da gordura corporal”.
Mais uma fase
Marilda Lipp, Ph.D em Psicologia e professora da PUC/Campinas, diz que há mais uma etapa, que seria a terceira, chamda de quase-exaustão. “Enquanto a primeira fase é essencial à sobrevivência humana, na segunda a pessoa já precisa unir todas as suas forças para resistir às pressões. No período de quase-exaustão, o sistema imunológico começa a ser afetado e, com a resistência em baixa, dá margem ao surgimento de doenças oportunistas. Além disso, funciona como um gatilho para o aparecimento de patologias genéticas”.
Segundo Marilda – que fundou e dirige o Centro Psicológico do Controle do Stress, que hoje conta com 11 unidades espalhadas pelo País - , na quarta fase, “a pessoa perde totalmente a capacidade e a habilidade de lidar com as situações”.
Estudo feito pelo laboratório de Psicologia da PUC/Campinas, aplicado no Estado de São Paulo, mostra que 36% da população apresentam sintomas graves de estresse. Marilda afirma que, desse percentual, 1% está em fase de exaustão e 7% de quase-exaustão. “É um número significativo, que mostra que a vida atual exige muito das pessoas. Talvez uma das razões para esse alto índice é que ainda somos um país em desenvolvimento, em transição, que exige de nós uma adaptação constante”.
Prevenção sempre
E qual é a melhor hora de procurar ajuda? Quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor. Em quadros severos, possivelmente a pessoa terá de tomar medicamentos. O acompanhamento psicológico também pode ser necessário.
O problema é que muitas vezes a pessoa não se dá conta de que precisa de tratamento. “Muita gente chega em meu consultório e diz que está numa fase tranquila e não acredita que esteja estressado. Só que os efeitos do estresse são cumulativos”, alerta o psicólogo Armando Ribeiro das Neves Neto.
Na hora de identificar o problema, costuma-se fazer um levantamento do que aconteceu na vida do paciente no último ano. São levados em conta fatores como casamento, nascimento de um filho, morte de pessoa querida e relações no trabalho, entre outros. “Uma promoção no emprego é algo positivo, certo! Mas também gera estresse por conta do aumento das responsabilidades”.
Mudar de atitude é essencial, tanto como medida curativa quanto preventiva. “O estilo de vida saudável promove mais resistência para o organismo lidar com o estresse, sendo que a atividade física é uma ótima forma de canalizar angústias e frustrações”, ressalta Ana Maria Rossi, lembrando que o sono e a alimentação balanceada também são posturas protetoras.
Rever e evitar as situações que provocam desgaste também é essencial para manter o equilíbrio. “Não é pedir as contas no emprego. Mas, se não se dá bem com o chefe, por exemplo, tente mudar de setor. O mais importante é saber lidar com o estresse ou buscar opções para não ter que lidar com ele”.
Armando Ribeiro reforça que as pessoas cometem erros comuns na busca de soluções. “Apesar de as medidas anti-estresse serem relativamente simples, não basta tomar um sorvete. Pior ainda, beber cerveja, já que o álcool tem efeito sedativo. Mais um engano: os esportes radicais elevam o nível de estresse”.
Para o psicólogo, outras atitudes importantes são:
Aprenda a respirar: A respiração adequada (chamada de diafragmática, com o abômen subindo e descendo) ajuda a desligar a produção de cortisol.Pratique algum tipo de meditação ou ioga. Essas técnicas protegem do estresse comum, garantindo, até, mais criatividade. “Não precisa ter vida de monge, é só procurar viver em um ambiente saudável”.
Pesquisa sobre estresse nas doenças gastrintestinais
Estudo científico realizado pelo psicólogo Prof. Armando Ribeiro (aprovado pelo Comitê de Ética da UNIFESP, no. 037/00), sobre à presença de fatores psicológicos em doenças gastrintestinais (ex. doença inflamatória intestinal - Chron e retocolite ulcerativa, síndrome do intestino irritável, entre outras), em uma amostra de 100 pacientes atendidos no ambulatório de Gastroenterologia do Hospital São Paulo da UNIFESP, concluiu que 62% apresentavam sintomas clínicos de estresse, com predominância de sintomas na fase de resistência e presença de sintomas físicos e psíquicos. O resultado da pesquisa sustenta à necessidade do trabalho em equipe multiprofissional, visando o bem-estar biopsicossocial e qualidade de vida dos pacientes.