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NOTA DE ADVERTÊNCIA: As informações sobre terapias e doenças disponibilizadas neste site não substituem a avaliação e a conduta de um profissional da saúde especializado. Procure sempre mais informações com o seu profissional de confiança.


Psicologia, Psicoterapia e Terapias Complementares“O uso de sistemas e modalidades terapêuticas, junto com tratamentos convencionais, para melhorar a eficácia da terapia” (JONAS & LEVIN, 2001, p. 584). Terapias Complementares são conceitualmente diferentes das terapias denominadas de alternativas, pois não excluem tratamentos convencionais. Os objetivos principais das Terapias Complementares são:  potencializar o tratamento convencional (ex. alopatia, cirurgia e etc.), através do fortalecimento do organismo, do gerenciamento do estresse e do desenvolvimento de pensamentos, emoções e comportamentos saudáveis, além do resgaste da esperança, bem-estar e equilíbrio.


Segundo uma pesquisa publicada na revista científica norte-americana Psychotherapy: Theory, Research, Practice, Training (2005) foram realizadas entrevistas com 262 pacientes de psicoterapia convencional sobre a sua utilização de terapias complementares. Cerca de 44% dos sujeitos reveleram utilizar terapias complementares que envolvessem estratégias mente-corpo (ex. meditação, hipnose, relaxamento e etc.) principalmente para o tratamento de ansiedade, depressão, insônia e fadiga. Porém, somente 34% dos participantes da pesquisa discutiram o uso destas terapias com os seus psicoterapeutas convencionais.


Os procedimentos terapêuticos utilizados são baseados nas mais atuais evidências científicas, assegurando ao paciente um tratamento seguro e eficaz para a maioria das condições clínicas. Resumiremos brevemente, as principais indicações terapêuticas das técnicas empregadas.

Recomendamos a leitura dos capítulos:

Psicoterapia baseada em evidências científicas - Prof. Armando Ribeiro
Métodos de avaliação em psicoterapia - Prof. Armando Ribeiro

O que é Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)?

Terapia Cognitivo-Comportamental é uma psicoterapia focal, baseada em resolução de problemas e que tem sido avaliada por mais de 375 estudos científicos como altamente eficaz para o tratamento de muitos transtornos mentais, tais como depressão, transtorno de ansiedade generalizada, pânico, raiva e problemas conjugais. Ela também tem mostrado ser eficaz no tratamento de condições médicas tais como dor crônica, hipertensão e fibromialgia.

O terapeuta e paciente trabalham juntos como uma equipe para identificar e resolver problemas, os terapeutas ajudam os seus pacientes a superarem suas dificuldades através da mudança de seus pensamentos, comportamentos e reações emocionais.

A revista Time Magazine (20/01//03) tem estabelecido que a Terapia Cognitivo-Comportamental é “... rápida, prática e orientada a metas”. Ela envolve três principais atividades: a) educação, b) construção de habilidades, e c) resolução de problemas. Durante o tratamento, o cliente ativamente aplica estratégias aprendidas para os problemas que o levam para a terapia. Se indicado, a Terapia Cognitivo-Comportamental também é acompanhada do uso de medicação, sob orientação médica.

O que as pesquisas mostram

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) tem demonstrado por centenas de estudos científicos ser um tratamento eficaz para uma variedade de transtornos e problemas para adultos, idosos, crianças e adolescentes. Abaixo é descrita uma lista de transtornos em que a TCC é eficaz.

Pesquisas tem demonstrado que a TCC é eficaz para os seguintes transtornos e problemas:

  • Depressão
  • Transtorno de Ansiedade Generalizada
  • Transtorno de Pânico (Agorafobia)
  • Fobias (ex. avião, dirigir) e Fobia Social
  • Transtorno de Estresse Pós-Traumático
  • Transtorno Obsessivo-Compulsivo
  • Transtorno Afetivo Bipolar
  • Transtornos Alimentares (ex. bulimia e anorexia nervosa)
  • Transtornos Somatoformes
  • Dependência Química (ex. tabagismo)
  • Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
  • Transtornos Sexuais
  • Dor crônica
  • Cefaléia tensional
  • Fadiga e estresse
  • Síndrome do Intestino Irritável
  • Asma
  • Insônia
  • Fibromialgia
  • Hipertensão arterial
  • Dor lombar
  • Enxaqueca

Referências:
Butler, A.C., Chapman, J.E., Forman, E.M., & Beck, A.T. (2006). The empirical status of cognitive-behavioral therapy: A review of meta-analyses. Clinical Psychology Review, 26(1), 17-31.

Chambless, D.L., & Ollendick, T. H. (2001). Empirically Supported Psychological Interventions: Controversies and Evidence. Annu. Rev. Psychol, 52, 685-716.
Fonte: Academy of Cogntive Therapy

Acupuntura

A acupuntura é uma técnica milenar de tratamento que consiste no estímulo de pontos determinados da superfície da pele (acupontos). Podem ser utilizados neste processo agulhas, ventosas, laser, massagens, e até o calor proveniente da queima da moxa, preparada à partir da erva artemísia (moxabustão).

Condições apropriadas para aplicação da Acupuntura:

  • Ansiedade
  • Asma
  • AVC (seqüela)
  • Cirurgia cerebral (pós-operatório)
  • Síndrome do Intestino Irritável
  • Depressão
  • Desintoxicação de álcool.
  • Desintoxicação de tabaco.
  • Dor de cabeça
  • Dor menstrual
  • Ejaculação precoce
  • Enxaqueca
  • Esquizofrenia
  • Hiperacidez no estômago
  • Hipertensão e Hipotensão
  • Impotência sexual (não orgânica)
  • Insônia
  • Obesidade
  • Policisto no ovário
  • Reações adversas ao tratamento de radioterapia e/ou quimioterapia
  • Síndrome do estresse competitivo
  • TPM

Referências:

Acupuncture. NIH Consens Statement 1997 Nov 3-5; 15(5): 1-34.

Schnyer RN, Allen JJ. Acupuncture in the treatment of depression: a manual for practice and research. New York: Churchill Livingstone, 2001.

Biofeedback

  • Alcoolismo / Abuso de Substância
  • Ansiedade
  • Artrite
  • Asma
  • Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade
  • Câncer e HIV+ - efeitos sobre o sistema imunológico
  • Paralisia Cerebral
  • Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica
  • Dor Crônica
  • Fibrose Cistíca
  • Depressão
  • Diabetes
  • Epilepsia
  • Cefaléias
  • Hipertensão arterial
  • Síndrome do Intestino Irritável
  • Incontinência Urinária
  • Doença de Raynaud
  • Infarto do Miocárdio
  • AVC
  • ATM

Referência:
Evidence-Based Practice in Biofeedback and Neurofeedback by Carolyn Yucha, PhD and Christopher Gilbert, PhD
Fonte: Association for Applied Psychophysiology & Biofeedback

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“Eu prefiro conhecer a pessoa que tem a doença a conhecer a doença que a pessoa tem.” (Hipócrates)  


Sobre esta série:
“Terapias Mente-Corpo: uma visão geral” é um de cinco artigos sobre as principais áreas da medicina complementar e alternativa (sigla em inglês: CAM - complementary and alternative medicine). Os artigos fazem parte dos planos estratégicos para os anos de 2005 a 2009 do National Center for Complementary and Alternative Medicine’s (Centro Nacional de Medicina Complementar e Alternativa dos EUA, conhecido pela sigla NCCAM’s). Estes breves artigos não devem ser vistos como resenhas abrangentes e nem definitivas. Ao contrário, a intenção é de que eles tragam um sentido para os desafios de longo alcance das pesquisas e oportunidades que surgem nesse campo, particularmente para as abordagens da CAM. Para mais informações sobre qualquer uma das terapias aqui citadas, entre em contato com o NCCAM Clearinghouse (veja no ítem “Para mais informações”). 

Introdução

As terapias mente-corpo enfocam as interações entre cérebro, mente, corpo e comportamento, e as muitas maneiras pelas quais fatores emocionais, mentais, sociais, espirituais, físicos e comportamentais podem afetar diretamente nossa saúde. Considera fundamental os métodos que respeitem e ressaltem as capacidades individuais e de autoconhecimento, autocuidados, além de enfatizar técnicas baseadas nestes métodos.

Terapias Mente-CorpoDefinição do campo de atuação
As terapias mente-corpo normalmente enfocam estratégias de intervenção que acreditamos promoverem à saúde, como por exemplo relaxamento, hipnose, visualizações, meditação, Yôga, biofeedback, tai chi, qi gong, terapia congnitivo-comportamental, grupos de apoio, treinamento autógeno e espiritualidade*.  Neste campo, a doença é vista como uma oportunidade de crescimento e transformação pessoal e os médicos ou terapeutas, como catalizadores e guias neste processo. As intervenções mente-corpo constituem a maior parte da total utilização da CAM por parte do público. Em 2002, cinco técnicas (relaxamento, visualizações, biofeedback, hipnose e a oração para a saúde) - foram utilizadas por mais de 30% da população adulta dos Estados Unidos.(1)

Informações complementares

O conceito de que a mente é importante no tratamento de uma doença é a base fundamental para a cura sob a ótica da medicina tradicional chinesa e da ayurvédica indiana, com mais de 2 mil anos. Foi também observado por Hipócrates, que reconheceu os aspectos moral e espiritual da cura, e acreditava que um tratamento pode ser feito apenas se levadas em consideração as influências do meio ambiente, do comportamento e dos medicamentos naturais (ano de 400 aC). Essa abordagem integrada foi mantida pelos sistemas tradicionais de cura orientais, enquanto que, no Ocidente, durante os séculos XVI e XVII, a evolução do conhecimento levou a uma separação das dimensões espirituais e emocionais do corpo físico. Esta separação começou com o redirecionamento da ciência durante o Renascimento e o Iluminismo, com o objetivo de ressaltar o controle do Homem sobre a Natureza. Os avanços tecnológicos – como, por exemplo, o microscópio, o estetoscópio, a mensuração da pressão sangüínea e as sofisticadas técnicas cirúrgicas – demonstraram a existência de um universo celular muito distante do mundo de crenças e emoções. O descobrimento das bactérias e, depois, dos antibióticos, afastou demais a noção de que uma crença pode influenciar a saúde.  Tratar ou curar uma doença tornou-se um atributo da ciência – ou seja, da tecnologia – e passou a ter precedência sobre – e não junto com – a cura da alma. À medida que a medicina separou a mente do corpo, os cientistas da mente (neurologistas) formularam conceitos, tais como o inconsciente, os impulsos emocionais e as ilusões cognitivas, que solidificaram a percepção que os males da mente não são “reais”, ou seja, não se baseiam na fisiologia ou na bioquímica.

Nos anos 1920, o trabalho de Walter Cannon revelou a relação direta entre o estresse e as respostas neuroendócrinas nos animais.(2)  Ao criar a expressão “reação de luta ou fuga”, Cannon descreveu os primitivos reflexos da ativação simpática e adrenal (supra-renal) que respondem a um sinal de perigo e a outras pressões ambientais (como o frio ou o calor). Depois, Hans Selye definiu os efeitos nocivos do estresse e da angústia na saúde.(3)  Ao mesmo tempo, os avanços tecnológicos na medicina que identificam alterações patológicas específicas e novas descobertas farmacêuticas ocorrem numa velocidade extraordinária. O modelo básico de uma doença, a procura de uma patologia específica e a identificação de curas externas eram supremos, até mesmo na psiquiatria.

Durante a Segunda Grande Guerra, a importância da crença voltou à cadeia dos cuidados médicos. Nas praias de Anzio, havia pouca morfina para os soldados feridos, e o médico Henry Beecher descobriu que grande parte da dor podia ser controlada com injeções solução salina. Ele criou o termo “efeito placebo” e suas pesquisas posteriores mostraram que cerca de 35% da resposta terapêutica a qualquer tratamento pode ser o resultado de uma crença.(4)  As pesquisas e os debates sobre o efeito placebo ainda perduram.

Desde os anos 1960, as interações mente-corpo se tornaram um campo de extensas pesquisas. As evidências científicas dos benefícios das técnicas: biofeedback, terapia cognitivo-comportamental e hipnose em algumas condições é bastante satisfatória, ao mesmo tempo em que surgem também evidências de efeitos fisiológicos. Um número inferior de pesquisas apóia a utilização de métodos CAM como a meditação e o Yôga. A seguir, algumas das mais importantes pesquisas sobre o tema.

Intervenções mente-corpo e efeitos nas doenças

Nos últimos 20 anos, as terapias mente-corpo apresentaram importantes evidências de que fatores psicológicos podem exercer um papel fundamental no desenvolvimento e no avanço das doenças coronárias. Há evidências de que as intervenções mente-corpo podem ser eficazes no tratamento das doenças coronárias, intensificando o efeito da reabilitação cardíaca padrão na redução dos índices de mortalidade e de recorrência de eventos cardíacos num prazo de até dois anos.(5)

As intervenções mente-corpo também têm sido aplicadas a vários tipos de dor. Testes clínicos indicam que essas intervenções podem ser auxiliares particularmente eficientes no tratamento da artrite, com redução da dor durante até quatro anos, além de redução no número de visitas ao consultório médico.(6)  Quando aplicadas ao tratamento de dores em geral mais agudas e crônicas, de dores de cabeça ou dores na base da coluna, as intervenções mente-corpo mostram algumas evidências de efeitos, ainda que os resultados sofram variação de acordo com a população de pacientes e tipo de intervenção pesquisada.(7)

Resultados de vários estudos com diversos tipos de pacientes de câncer sugerem que as intervenções mente-corpo podem melhorar o humor, a qualidade de vida e a maneira de lidar com a doença, assim como diminuir os sintomas da doença e dos tratamentos, como a náusea provocada por quimioterapia, vômito e dores. (8)  Alguns estudos sugerem que as intervenções mente-corpo podem alterar vários parâmetros imunológicos, mas não está claro se essas alterações são grandes o suficiente para provocar algum impacto no avanço da doença ou nos prognósticos. (9,10)

Influências mente-corpo na imunidade

Há evidências consideráveis de que características emocionais, tanto negativas como positivas, influenciam a sensibilidade das pessoas às infecções. Depois de uma exposição sistemática a um vírus respiratório em um laboratório, os indivíduos que tinham níveis mais altos de estresse ou inclinação ao pessimismo desenvolveram doenças mais graves que aqueles que eram menos estressados e mais otimistas.(11)  Estudos recentes sugerem que a tendência a emoções positivas – em oposição as negativas – pode estar associada a uma maior resistência a gripes. Esses estudos laboratoriais são comprovados por outros, longitudinais, que apontam para ligações entre características psicológicas / emocionais e a incidência de infecções respiratórias.(12)

Meditação e visualização

A meditação é uma das mais comuns intervenções mente-corpo, é um processo mental consciente que provoca um conjunto de alterações fisiológicas integradas designado por resposta de relaxamento. A ressonância magnética funcional (sigla em inglês fMRI - functional magnetic resonance imaging) têm sido usada para identificar e caracterizar as regiões do cérebro que permanecem ativas durante a meditação. Essa pesquisa sugere que são ativadas várias partes do cérebro, que sabidamente se envolvem com a atenção e o controle do sistema nervosa autônomo, o que proporciona uma base neuroquímica e anatômica para o efeito da meditação em várias atividades psicológicas.(13)  Estudos recentes envolvendo as visualizações trazem avanços no entendimento dos mecanismos mente-corpo. Um estudo com a meditação, por exemplo, mostra a produção de um aumento considerável de atividade no lado esquerdo anterior do cérebro, associado a estados emocionais positivos. Além disso, esse mesmo estudo mostra que a meditação está associada a um aumento de anticorpos (antibody titers to influenza vaccine) para a vacina contra a gripe, o que sugere um elo potencial entre a meditação, estados emocionais positivos, respostas cerebrais localizadas e melhoramento da função imunológica.(14)

Fisiologia da expectativa (Placebo)

Acredita-se que os efeitos do placebo são mediados tanto por mecanismos cognitivos como por condicionados. Até recentemente, pouco se sabia sobre o papel desses mecanismos sob diferentes circunstâncias. Hoje as pesquisas mostram que as respostas ao placebo são mediadas por condicionamento quando estão envolvidas funções fisiológicas inconscientes, como por exemplo as secreções hormonais, enquanto que há mediação por expectativa quando há processos psicológicos conscientes como a dor e o desempenho motor entra em ação, ainda que haja um procedimento condicionado.

A exploração do cérebro através da tomografia com emissão de positron (PET, sigla em inglês para positron emission tomography) tem mostrado evidências de liberação do neurotransmissor endógeno dopamina no cérebro de pacientes com mal de Parkinson como resposta a placebo.(15)  As evidências indicam que o efeito placebo nesses pacientes é considerável e é mediado pela ativação do sistema dopamina nigroestriatal – o sistema prejudicado pelo mal de Parkinson. Esse resultado sugere que a resposta ao placebo envolve a secreção de dopamina, conhecida pela importância que tem em diversas outras condições de reforço e recompensa, e que pode haver estratégias mente-corpo a serem utilizadas em pacientes com mal de Parkinson em vez de ou juntamente com o tratamento de medicamentos que liberam a dopamina.

Estresse e a cura de feridas  

Há muito tempo são reconhecidas as diferenças individuais na cura de feridas. A observação clínica sugere que um estado de espírito negativo ou um estresse estão associados a um reestabelecimento lento. Pesquisas mente-corpo básicas hoje confirmam essa observação. metaloproteinases de matriz (MMPs, sigla em inglês para matrix metalloproteinases) e inibidores tissulares de metaloproteinase (TIMPs, sigla em inglês para tissue inhibitors of metalloproteinases), cuja expressão pode ser controlada por citocinas, têm um importante papel na cura de feridas.(16)  Pesquisadores usaram como modelo uma ferida provocada por bolhas na pele de um antebraço que foi exposta a raios ultravioleta, e demonstraram que o estresse ou uma alteração de humor é suficiente para alterar as expressões MMP e TIMP e, presumivelmente, a cura da ferida.(17)  A ativação dos eixos hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA) e simpático-supra-renal (SSR) pode modular os níveis de MMPs, criando um vínculo psicológico entre estado de espírito, estresse, hormônios e cura de feridas. Esta linha de pesquisa básica sugere que a ativação dos eixos HPA e SSR, mesmo em indivíduos que se encontram dentro dos limites normais dos sintomas depressivos, pode alterar os níveis de MMP e alterar o curso da cura de feridas provocadas por bolhas.

Preparação cirúrgica

Intervenções mente-corpo estão em testes para determinar se podem ajudar a preparar pacientes para o estresse associado a cirurgias. Testes de controlados e randomizados – nos quais alguns pacientes receberam audiotapes com técnicas mente-corpo (visualização orientada, música e instruções para melhorar os resultados) e outros, tapes restritos — descobriram que aqueles que receberam as intervenções mente-corpo se recuperaram mais depressa e passaram menos dias no hospital.(18)

Demonstrou-se que as intervenções comportamentais são um eficiente meio de redução do desconforto e efeitos nocivos durante procedimentos vasculares percutâneos e renais. A dor aumenta de maneira linear com o passar do tempo em um grupo restrito ou em um que pratique a atenção dirigida, mas se mantém constante naquele que pratica técnicas de auto-hipnose. A auto-medicação com analgésicos foi significativamente maior no grupo restrito que no grupo de atenção dirigida ou no de hipnose. A hipnose também melhorou a estabilidade hemodinâmica.(19)
Conclusões

Sinergia entre terapias convencionais e complementares.As evidências surgidas a partir de testes controlados e randomizados e, em muitos casos, de revisões sistemáticas da literatura especializada sugerem que: 

• Pode haver mecanismos através dos quais o cérebro e o sistema nervoso central influenciam o funcionamento imunológico, endócrino e autônomo, o que sabe-se ter impacto na saúde. 

• Diversas intervenções mente-corpo que incluam combinações de meios de administrar o estresse, treinamento de habilidades de adaptação, terapia cognitivo-comportamental e técnicas de relaxamento podem ser tratamentos associados para o tratamento de doenças cardíacas e alguns transtornos que causam dor, como a artrite. 

• Diversos métodos mente-corpo, como a terapia cognitivo-comportamental, em especial quando associada a um componente psicoeducacional, podem ser eficientes no tratamento de uma grande variedade de males crônicos. 

• Um conjunto de terapias mente-corpo (por exemplo: visualização, hipnose, relaxamento), quando empregado antes de uma cirurgia, pode diminuir o tempo de recuperação e reduzir dores provocadas pela intervenção cirúrgica. 

• Pode haver bases neuroquímicas e anatômicas para alguns dos efeitos de métodos mente-corpo. 

Os métodos mente-corpo têm potenciais vantagens e desvantagens. Os riscos físicos e emocionais provocados pela utilização dessas intervenções são particularmente mínimos. Além do mais, uma vez testadas e padronizadas, muitas dessas intervenções podem ser facilmente ensinadas. E, por fim, futuras pesquisas sobre mecanismos básicos mente-corpo e diferenças individuais nas reações provavelmente trarão uma nova compreensão que poderá aumentar a eficiência e a adaptação individual dessas intervenções. Enquanto isso, há considerável evidência de que as intervenções mente-corpo, mesmo da maneira como são estudadas hoje, têm efeitos positivos no funcionamento psicológico e na qualidade de vida, e podem ser particularmente benéficas para pacientes que lidam com doenças crônicas ou que têm necessidade de cuidados paliativos. 

* Algumas intervenções mente-corpo descritas aqui, como grupos de apoio a sobreviventes de câncer, estão muito bem integradas aos cuidados convencionais e, ainda que sejam conhecidas como intervenções mente-corpo, não são consideradas parte da medicina complementar e alternativa.

Referências

1. Wolsko PM, Eisenberg DM, Davis RB, et al. Use of mind-body medical therapies. Journal of General Internal Medicine. 2004;19(1):43-50.
2. Cannon WB. The Wisdom of the Body. New York, NY: Norton; 1932.
3. Selye H. The Stress of Life. New York, NY: McGraw-Hill; 1956.
4. Beecher H. Measurement of Subjective Responses. New York, NY: Oxford University Press; 1959.
5. Rutledge JC, Hyson DA, Garduno D, et al. Lifestyle modification program in management of patients with coronary artery disease: the clinical experience in a tertiary care hospital. Journal of Cardiopulmonary Rehabilitation. 1999;19(4):226-234.
6. Luskin FM, Newell KA, Griffith M, et al. A review of mind/body therapies in the treatment of musculoskeletal disorders with implications for the elderly. Alternative Therapies in Health and Medicine. 2000;6(2):46-56. 
7. Astin JA, Shapiro SL, Eisenberg DM, et al. Mind-body medicine: state of the science, implications for practice. Journal of the American Board of Family Practice. 2003;16(2):131-147. 
8. Mundy EA, DuHamel KN, Montgomery GH. The efficacy of behavioral interventions for cancer treatment-related side effects. Seminars in Clinical Neuropsychiatry. 2003;8(4):253-275.
9. Irwin MR, Pike JL, Cole JC, et al. Effects of a behavioral intervention, Tai Chi Chih, on varicella-zoster virus specific immunity and health functioning in older adults. Psychosomatic Medicine. 2003;65(5):824-830.
10. Kiecolt-Glaser JK, Marucha PT, Atkinson C, et al. Hypnosis as a modulator of cellular immune dysregulation during acute stress. Journal of Consulting and Clinical Psychology. 2001;69(4):674-682.
11. Cohen S, Doyle WJ, Turner RB, et al. Emotional style and susceptibility to the common cold. Psychosomatic Medicine. 2003;65(4):652-657.
12. Smith A, Nicholson K. Psychosocial factors, respiratory viruses and exacerbation of asthma. Psychoneuroendocrinology. 2001;26(4):411-420.
13. Lazar SW, Bush G, Gollub RL, et al. Functional brain mapping of the relaxation response and meditation. Neuroreport. 2000;11(7):1581-1585.
14. Davidson RJ, Kabat-Zinn J, Schumacher J, et al. Alterations in brain and immune function produced by mindfulness meditation. Psychosomatic Medicine. 2003;65(4):564-570.
15. Fuente-Fernandez R, Phillips AG, Zamburlini M, et al. Dopamine release in human ventral striatum and expectation of reward. Behavioural Brain Research. 2002;136(2):359-363.
16. Stamenkovic I. Extracellular matrix remodelling: the role of matrix metalloproteinases. Journal of Pathology. 2003;200(4):448-464.
17. Yang EV, Bane CM, MacCallum RC, et al. Stress-related modulation of matrix metalloproteinase expression. Journal of Neuroimmunology. 2002;133(1-2):144-150.
18. Tusek DL, Church JM, Strong SA, et al. Guided imagery: a significant advance in the care of patients undergoing elective colorectal surgery. Diseases of the Colon and Rectum. 1997;40(2):172-178.
19. Lang EV, Benotsch EG, Fick LJ, et al. Adjunctive non-pharmacological analgesia for invasive medical procedures: a randomised trial. Lancet. 2000;355(9214):1486-1490.

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Por Benedict Carey para o The New York Times

Meditação e Terapia Cognitivo-ComportamentalO paciente sentou-se com os olhos fechados, submergido no ritmo de sua própria respiração, e depois de um tempo percebeu que estava pensando sobre sua problemática relação com seu pai."Eu era capaz de estar lá, presente para a dor," disse ele, quando a sessão de meditação acabou. "Para apenas ser quem era, sem pensar a respeito." O terapeuta concordou com cabeça."Era nada menos que aceitação," ele continuou. "Apenas deixar acontecer. Não tentar mudar nada." "É isso," disse o terapeuta. "É isso, e isso é grande."Esse exercício de percepção focada e manipulação mental de emoções se tornou uma das técnicas mais populares da nova psicoterapia na década passada. A meditação "mindfulness", como é chamada, é baseada nos ensinamentos de um príncipe indiano do século V antes de Cristo, Siddhartha Gautama, posteriormente conhecido como Buda. Está chamando a atenção de terapeutas de todas as classes, incluindo pesquisadores acadêmicos, analistas freudianos e céticos que vêem todas as marcas de outra mania.Por anos, psicoterapeutas trabalharam para aliviar o sofrimento dando novas molduras aos pensamentos dos pacientes, alterando diretamente o comportamento ou ajudando as pessoas a atingir percepção das fontes subconscientes de seu desespero e ansiedade.

A promessa da meditação "mindfulness" (consciente ou conscienciosa) é poder ajudar os pacientes a agüentar dilúvios de emoções durante o processo terapêutico - e no final alterar as reações a experiências cotidianas em níveis que as palavras não conseguem alcançar. "O interesse nisto acabou de decolar," diz Zindel Segal, um psicólogo do Centro de Vícios e Saúde Mental e Toronto, onde a terapia de grupo citada acima foi gravada. "E acho que uma grande parte disso é que mais e mais terapeutas estão eles mesmos praticando alguma forma de contemplação e querem trazer isso para a terapia."Em workshops e conferências por todo o país, estudantes, orientadores e psicólogos de prática privada amontoaram-se em palestras sobre a meditação "mindfulness". O Instituto Nacional de Saúde está financiando mais de 50 estudos de técnicas de consciência, contra apenas três realizados em 2000, para ajudar a aliviar o estresse, suavizar a vontade dos vícios, aprimorar a atenção e reduzir o desespero e as ondas de calor.Alguns proponentes dizem que a chegada de Buda na psicoterapia sinaliza uma abertura mais ampla na cultura como um todo - uma forma de acessar a cura mais profunda, um caminho oculto revelado.Mas até agora, são poucas as evidências de que a meditação "mindfulness" ajuda a aliviar sintomas psiquiátricos e, em alguns casos, pode fazer com que as pessoas piorem, como foi sugerido por alguns estudos. Agora, muitos pesquisadores temem que o entusiasmo pela prática do Budismo ultrapasse tanto a ciência, que essa promissora ferramenta psicológica pode se tornar apenas mais uma moda."Estou muito aberto à possibilidade de que essa abordagem pode ser efetiva, e ela certamente deve ser estudada," diz Scott Lilienfeld, um professor de psicologia em Emory. "O que me preocupa é o hype, o exagero, a conversa sobre mudar o mundo, essa sedução do guru que o campo da psicoterapia tem a tendência de cultivar." A meditação budista chegou à psicoterapia pela medicina acadêmica mainstream. Na década de 1970, um estudante de graduação em biologia molecular, Jon Kabat-Zinn, intrigado por idéias budistas, adaptou uma versão de sua prática meditativa que poderia ser facilmente aprendida e estudada. Era uma versão secular, extraída como uma pedra preciosa das fundações multifacetadas dos ensinamentos budistas, que havia originado uma ampla variedade de seitas e práticas espirituais e atraído 350 milhões de seguidores em todo o mundo.Na meditação transcendental e outros tipos de meditação, praticantes buscam transcender ou "perder" a si mesmos. O objetivo da meditação mindfulness era diferente: estimular a percepção de cada sensação, à medida que elas se desdobram no momento.Kabat-Zinn ensinou a prática a pessoas que sofriam de dores crônicas na escola médica da Universidade de Massachussetts. Nos anos 80 ele publicou uma série de estudos demonstrando que cursos de duas horas, ministrados uma vez por semana durante oito semanas, reduziram as dores mais eficazmente que o tratamento usual.A notícia se espalhou discretamente no início. "Acho que naquela época, outros pesquisadores tinham de ser muito cuidadosos ao falar sobre isso, porque eles não queriam ser vistos como estranhos da Nova Era," diz Kabat-Zinn, agora professor emérito de medicina na Universidade de Massachussetts. "Então eles não deram o nome de conscienciosa, ou meditação. Depois de um tempo, nós divulgamos tantos estudos que as pessoas se sentiram mais confortáveis com isso."Uma pessoa que reparou logo cedo foi Marsha Linehan, uma psicóloga da Universidade de Washington que estava tentando tratar pacientes profundamente problemáticos com históricos de comportamento suicida. "Tratar esses pacientes com alguma terapia de comportamento baseada na mudança só os fez piorar, não melhorar," disse Linehan em uma entrevista. "Com a situação realmente negra, você precisa de algo diferente, algo que faça as pessoas tolerarem essas emoções tão fortes."Na década de 1990, Linehan publicou uma série de estudos dizendo que uma terapia que incorporava a consciência Zen-Budista, "aceitação radical," praticada por terapeuta e paciente, reduzia significativamente o risco de hospitalização e tentativas de suicídio nos pacientes de alto risco.Finalmente, em 2000, um grupo de pesquisadores incluindo Segal em Toronto, J. Mark G. Williams na Universidade de Gales e John D. Teasdale no Conselho de Pesquisa Médica na Inglaterra, publicou um estudo relatando que oito sessões semanais de meditação mindfulness cortaram pela metade a taxa de reincidência em pessoas com três ou mais episódios de depressão.Com o Dr. Kabat-Zinn, eles escreveram um livro que se tornou popular, "The Mindful Way Through Depression". A curiosidade dos psicoterapeutas sobre a meditação mindfulness, antes temporária, transformou-se neste "frenesi constante que vemos acontecendo agora," diz Kabat-Zinn.A meditação mindfulness é fácil de ser descrita. Sente-se em uma posição confortável, olhos fechados, preferivelmente com as costas retas e não-apoiadas. Relaxe e note as sensações corporais, sons e temperamentos. Repare neles sem julgamento. Deixe a mente assentar ao ritmo da respiração. Se ela vagar (e irá vagar), gentilmente preste atenção à respiração. Fique com ela por pelo menos 10 minutos.Depois de dominar o controle da atenção, segundo alguns terapeutas, a pessoa pode virar-se, mentalmente, para encarar um pensamento ameaçador ou perturbador - sobre, digamos, um relacionamento tenso com uma pessoa próxima - e aprender a simplesmente agüentar a raiva ou tristeza e deixá-los passar, sem recair para uma reflexão ou tentativa de alterar o sentimento, um movimento que muitas vezes sai pela culatra.Uma mulher, uma médica que fazia terapia por anos para gerenciar períodos de extrema ansiedade, recentemente começou a se tratar com Gaea Logan, uma terapeuta de Austin, Texas, que incorpora a meditação mindfulness em sua prática. Essa paciente tinha muito com que se preocupar, incluindo uma criança mentalmente doente, um divórcio e o que ela descrevia como uma "voz interior implacável", diz Logan.Depois de praticar a meditação mindfulness, ela continuou a sentir ansiedade em alguns períodos, mas disse a Logan, "Eu posso parar e observar meus sentimentos e pensamentos e sentir compaixão por mim mesma."Steven Hayes, um psicólogo da Universidade de Nevada em Reno, desenvolveu uma terapia conversacional chamada Terapia de Compromisso pela Aceitação, ou ACT, baseada em um esforço similar, estilo Buda, de mover-se além da linguagem para mudar os processos psicológicos fundamentais."Ter nossa saúde mental definida pelo conteúdo de nossos pensamentos é uma grande mudança", diz Hayes. "Defini-la pelo relacionamento com esse conteúdo - e mudar esse relacionamento ao sentar-se com, reparar e nos tornar livres de nossa definição de nós mesmos."Para todos esses esperançosos sinais, a ciência por trás da meditação mindfulness está dando os primeiros passos. A Agency for Healthcare Research and Quality, que pesquisa práticas de saúde, publicou no ano passado uma abrangente análise de estudos de meditação, incluindo TM, Zen e prática mindfulness para uma ampla variedade de problemas físicos e mentais. A análise descobriu que na maioria dos estudos a pesquisa foi incompleta demais para oferecer conclusões.

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© COPYRIGTH 2010 - Prof. Armando Ribeiro das Neves Neto

 
   
   
   
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